Buraco de minhoca


02/12/2005


AUSÊNCIA

Estive ausente por 15 dias das atividades "bloguisticas".

Afazeres compulsórios familiares de ordem pessoal, entre eles,
Doença da sogrona, que ontem veio a falecer.

Estive também adiantando meu roteiro e hoje retorno
às atividades do hospital - de levinho, afinal de contas
hoje faz um mes que infartei. Prá comemorar, irei ao bar do Capitão
tomar duas cervejinhas. Juro que não passarei disso
(e não estou com os dedos cruzados).

Amanhã teremos atividade por aqui - tomara!

Escrito por pinduca às 07h59
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15/11/2005


Apresentando KOANS

Já falei de Hai Kai (Hai ku) anteriormente. Quero dizer agora que a tentativa da prática do Hai Kai também pode vir a ser um momento contemplativo e intuitivo. Se nele está colocado o fenômeno, o evento ou a constatação, houve impositivamente um  ato de atenção ou concentração para o perceber.

     Ato: o sol brilhava no céu

(reparem que o sol podia estar brilhando e você não o está percebendo)

Para isto é necessário um estado mental, uma atitude, a qual exige disciplina.

Ao dar seguimento ao Hai Kai, você sai do mundo contemplativo (da percepção) e entra no mundo dos pensamentos. E, se permanecer nele, o Hai Kai será somente um poema.

 

     O sol brilhava no céu

     Sua luz incidiu em meu copo      }  mundo dos pensamentos

     Esquentou minha cerveja     

 

Não deixa de ter algo Zen (Ch’na), pois está próximo da natureza real das coisas. Não há complexidade nem dualismos formais.

Se ao concluir o Hai Kai houver uma quebra da cadência lógica dos pensamentos, poderemos estar diante de um Koan (kung-an). No exemplo anterior poderia ser:

 

     O sol brilhava no céu

     Sua luz incidiu em meu copo

     Quem pintou a lua de rosa?

 

Koan pode ser uma palavra, um gesto, um poema, de cunho intrigante , paradoxal, ilógico (etc), que interfira na mecânica dos pensamentos de tal forma que acesse a sua mente no estado mais puro e próximo da realidade do ser. A finalidade primordial é através deles, vir a se alcançar o “Satori”, que é o estado de iluminação que permite  a aquisição de um “Novo Ponto de Vista”.

É claro que voltarei a falar sobre o assunto. Conta gotas. Estilo Zen.

 


 

 

 

Escrito por pinduca às 10h51
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Iniciação ao Zen

Uma  pequena introdução ao Zen:

 

O Zen pergunta: queres ficar eternamente escravizado ao mundo da lógica dos pensamentos e sensações ou ficar livre para a vida  que não conhece nem princípio nem fim?

Se ficares pensando sobre isso, fenecerás. Tens de decidir. Tipo:”é pegar ou largar”.

Suzuki: O método da disciplina Zen consiste em colocar o indivíduo diante de um dilema, do qual ele deve tentar escapar, não através da lógica, e sim através de uma nova mente de alto nível

“ O Zen abomina repetição ou imitação de qualquer espécie, pois ela mata. Pela mesma razão nunca explica, somente afirma”.

“ A vida é um fato e nenhuma explicação é necessária. Explicar é desculpar, e por que nos desculparmos por viver? Viver – não será suficiente? Deixai-nos viver, deixai-nos afirmar! Aqui repousa o Zen com toda a sua pureza e nudez".

 


Escrito por pinduca às 10h49
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MAIS DE MIM

ELOQÜÊNCIA 

Eu e minha Nudez - Zen na Vida!                                                        

  

                                                                  

Escrito por pinduca às 10h47
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11/11/2005


RETORNANDO

Primeiro a poesia, depois a agonia.

Vejam nos tópicos abaixo o que aconteceu comigo. Por enquanto, prá começar mostro mais uma vez o porquê da minha preferência pelas poetisas – vejam a beleza dessa poesia da Maitê publicada mês passado.

 

“Amor Desfeito”

 

Quando você faz amor comigo,

Meu corpo todo, cada pêlo,

Cada órgão lá de dentro,

Sorve aquilo de tal jeito,

Que não sei como é que o peito,

O coração ali desfeito,

Tudo enche estufa cresce

E se esvazia ao mesmo tempo

 

Num instante vou morrer

No outro me acho

plena de você

 

Quando você faz amor comigo,

E que à tarde a gente deita,

O mundo pára o rodopio,

E em conduta de desvio

A lua acende sendo dia

E eu te lavo, cuido, gueixa

Dou comida, cafuné

Que em meu sonho o mundo aceita

eu serva sua satisfeita.

Você, meu macho.

Eu, imperfeita.

 

Eu, relevante

 

Num instante ia morrer

No outro me acho, bobo,

Livre de você.

 

E se hoje vens zoar comigo

Com esta cantada em sustenido,

Agora que és passado antigo

Eu vejo bem, foi só desejo

Gostava, e pouco, é do teu beijo

Ta cheio aí bonito, limpo

Quem sabe até bem mais distinto

Pronto pra amar o amor que sinto.

 

 

Escrito por pinduca às 17h32
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UTI

Notícias do Front:

Cheguei em casa ontem. INFARTEI.

Dois de novembro (dia de "finados") quase que finei-me!
Acordei, dor no peito, falta de ar, eletro alterado, resultado:
Quatro dias de UTI e  mais quatro no AP, tomando sopinha e gagau!

Um mes de recesso. Cerveja nem de canudo.
E eu crente que tava com tudo.

E imaginem, logo agora que eu estava começando a preparar assuntos zen-budistas para vocês!
Mas vamos em frente!!!!     ....só que agora mais devagar.

Escrito por pinduca às 17h04
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PESADELO

Parece que estava pressentindo, pois já tinha esta poesia quase pronta quando aconteceu o que aconteceu. Hoje dei uns rabiscos finais e tô mandando ver:

 

“Pesadelo”

 

Por dentro da pele escura

Os olhos da cobra cega

Piscam na escuridão

 

Debaixo das sobrancelhas

Duas lágrimas vermelhas

Escorrem pelo sulco no chão

 

Por suas presas pontiagudas

Afiadas reluzentes

Flameja sua língua áspera, ardente

Escorrendo pela garganta

O ocre sumo envenenado

Com gosto de aguardente

 

Na ponta do rabo uma lança

De prata fina e enxofre

Querendo me fazer vítima – vingança?

 

Corre luta embola

Morde assopra e bufa

Espirra escorre e pinga

Uiva grita, gemidos no coração

Acordo, dor no peito, suor, aflição

 

Não foi desta vez ainda não!

Escrito por pinduca às 16h54
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25/10/2005


Insensatez

Perdi mais uma eleição, ou melhor , votação.
Até quando ganhei com Lula, perdi.

Não, não é política não. No meu blog não haverá espaço para isso.
É constrangimento e consternação mesmo.
Votei no Sim e perdi. Votei na vida.
Não votei no direito de ter armas, votei no direito fundamental da vida.
Qualquer coisa que diminua a estatística de mortes e acidentes por armas
tem que prevalecer.
O orgão "Anistia Internacional" está certo, o Brasil perdeu uma grande chance.
Não que isso vá resolver a violência, ou fosse, mas mostraríamos de uma maneira civilizada
que não a aprovamos.
Quem trabalha em hospitais de emergências, como eu, sabe perfeitamente o que estou falando.

 

E a rede Globo tirando a casquinha dela com a novela "Bang Bang". Não dá prá entender!

   Plim, plim!       -você morreu     -caia!


Escrito por pinduca às 15h58
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Tiroteio

 E por falar nisso:

Sei que sou bandoleiro
Meu coração deixe-o solto
Meu corpo, tenha por intreiro !!

 

        Plim!   - ai!
                           Tchau!     - bang!

            ui!    

                        fui!


Escrito por pinduca às 15h45
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16/10/2005


Hai-kais domingados

Meu domingo foi assim, os hai kais que se seguem extraí deles:

Sobre Hai- Kais 

 

Poema síntese. Isso é o que ele é.
Visão rápida de uma cena. Reflita depois.
Tipo vinho bom: dê um gole e deguste.

Cria imagens mentais súbitas, cria emoções, perplexidade.
Sutil, irônico, objetivo. Bem humorado ( ou não ).
Pior coisa para um hai- kai é a indiferença.

Hoje não se quer mais a métrica (5-7-5 ).
Estamos na era digital. Liberdade informal.
etecetera e tal.

1° verso:  uma constatação;

2° verso:  algo que modifique (pode ser um fato novo, uma conseqüência do 1° ou  preparo para o 3° verso); um ponto de virada;
3° verso: a síntese, o arremate; o ponto final

 

Viram, parece um roteirinho, naum eh?

 

Exemplos meus:

 

       a)               O sol brilhava no céu
                        sua luz incidiu em meu copo
                        esquentou minha cerveja

 

      b)      Migalha saltitando sob a mesa
               o pardal, sempre seguro de si
               segurança? Debocha o gato já com a presa

 

c)                   * extraindo da música e adaptando:

 

você me tem fácil demais

sorriu e me propôs te deixar em paz
tolinha, não vá pensando que eu sou seu

Escrito por pinduca às 22h40
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09/10/2005


Fluição

É isso aí. Sexta à noite não dobrei plantão, portanto, FLUÍ.
Fluí, refluí e fluidifiquei. Sem ponto de exclamação, aliás, sem nenhuma pontuação.

Trampinho no sábado e domingo fluente.


           

                           Day by Day

Não quero sòmente ter um dia para viver
e outro para esquecer.
Quero todo dia meu.
Quero ter a liberdade de fazer o meu dia;
de acompanhar o vento
de sobrevoar com os pássaros
pelos muros da vida.
A estes, como eles,
todo telhado é abrigo.
Um dia sem tempo, um tempo sem relógio
um relógio sem ponteiros;
inobstante o sol e a lua,
a sombra sendo a mesma, minha e tua.

          Um zignal bem beijado prá vocês!

Escrito por pinduca às 20h55
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07/10/2005


Perambulando

Perambular é uma arte. Das mais importantes e das mais prazeirosas.
Agora, por exemplo, vim em casa almoçar e estou perambulando aqui pela internet.
Quero perambular hoje à noite (se não tiver que dobrar o plantão),
embora tenha alguns destinos
(aqui em Itaparica são poucos), mas o andar sem rumo, andar sem pressa, prestar atenção numa folha que cai,
são eventos essenciais, e mesmo, existenciais importantes para  se estar na vida.
Fazer um caminho diferente, olhar pro céu e mudar algumas estrelas de posição, ou não,
Chutar uma tampinha do chão, ou não.
Fluir, apenas isso, fluir.

Perambular, pernas e carambolas no ar.

Escrito por pinduca às 12h38
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05/10/2005


Serviço de Bordo

Hoje é 4ª feira, dia de trampo, ou melhor, noite, prosaica-etílica no bar do Capitão (colocarei fotos).
Depois do recesso de baixa, êle reabre hoje, sem o dono - mas com a dona : Tê.
Teremos muito têtê,têtêrêtê a cumprir.
Não poderia faltar. Não que faça falta, mas é que falta me faz! 

Escrito por pinduca às 13h17
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Dança Cósmica

Tá tudo muito esquisito. Shiva está dançando.
Tenho sentido sua música e estou começando a acompanhá-la.
Com cuidado para não pisar seus pés, ela reclama.
Afinal de contas ela é uma dama
- e cheia de braços.
Lennon e Hendrix estão a tocar para ela.
Não dá para fugir. Uma vez que ela te pisca,
é prá vida toda, mané.
Tenho que segui-la, e confiar em Brahman...

e logo agora que tô preferindo Skol!


Cheiro de Transformação no ar.

         OM  SAI  RAM

Escrito por pinduca às 23h23
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02/10/2005


Conto Blog

                                              Baton Carmin

O vestido estava amassado. Mas mesmo assim tinha que ir. Afinal de contas era o único que cabia naqueles momentos de sobra.
A resistência do ferro quebrara...ninguém prá consertar.
Um pingente aqui, um brinco ali,...,baton, o de sempre - carmin. Gostava que as carnes dos lábios sobressaíssem.
O vento úmido da tarde roçou-lhe o pescoço. Apertou os passos. Ao descer do ônibus, acendeu o cigarro. Duas tragadas depois,
estava pisado. Foi em frente.
No espelho do elevador, último retoque. Há dois meses que não o encontrava.
Um oi, um tudo bem, um beijinho depois...,
- Você parece mais gordinha, hein?!

Escrito por pinduca às 22h38
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